Nem todo sofrimento relacionado ao trabalho é causado pelo excesso de tarefas. Em muitos casos, o problema está justamente na falta delas. Conhecida como boreout, a condição vem ganhando atenção de especialistas por estar associada ao tédio crônico, à ausência de desafios e à sensação de inutilidade no ambiente profissional.
O tema interessa também aos trabalhadores de Santa Isabel e do Alto Tietê. Em uma região onde milhares de pessoas atuam na indústria, no comércio, no setor de serviços e na administração pública, permanecer durante meses ou anos em funções repetitivas, sem oportunidades de crescimento ou de desenvolvimento profissional, pode afetar diretamente a saúde mental e a qualidade de vida.
Diferentemente do burnout, que é provocado pela sobrecarga e pelo excesso de pressão, o boreout surge quando o profissional sente que seu potencial está sendo desperdiçado. A rotina passa a parecer sem sentido, as atividades deixam de gerar motivação e o trabalhador pode desenvolver apatia, perda de concentração, irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos.
Segundo especialistas, esse quadro nem sempre é percebido por colegas ou gestores. Como o profissional aparentemente "não está sobrecarregado", muitas vezes o sofrimento é interpretado como desinteresse ou falta de comprometimento, quando, na realidade, a falta de propósito pode gerar desgaste emocional semelhante ao provocado pelo excesso de trabalho.
O problema também traz impactos para as empresas e instituições. A redução do engajamento, o aumento do absenteísmo, a queda na produtividade e a maior rotatividade de profissionais estão entre as consequências associadas ao boreout. Especialistas defendem que lideranças invistam em desenvolvimento profissional, feedbacks constantes, autonomia e oportunidades de aprendizado para manter as equipes motivadas.
Para os trabalhadores da região, o tema serve como um alerta. Sentir-se constantemente desmotivado, improdutivo ou sem perspectiva de crescimento não deve ser encarado como algo normal. Buscar diálogo com gestores, investir em qualificação profissional e, quando necessário, procurar apoio psicológico são medidas que podem contribuir para prevenir o agravamento do quadro.
Embora o boreout ainda não seja reconhecido oficialmente como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas afirmam que seus impactos na saúde mental são reais e merecem atenção crescente das empresas e dos próprios trabalhadores.

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