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Notícias/Saúde

Metade das jovens brasileiras vive jornada dupla a partir dos 18 anos, diz estudo

Levantamento da Fiocruz aponta que 90% das mulheres de 15 a 29 anos fazem atividades de cuidados

Metade das jovens brasileiras vive jornada dupla a partir dos 18 anos, diz estudo
Catarina Pignato/Catarina Pignato/Folhapress
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Metade das jovens brasileiras passa a enfrentar dupla ou tripla jornada de atividades a partir dos 18 anos, acumulando trabalho remunerado, estudos e responsabilidades domésticas ou de cuidado. A conclusão é de um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desenvolvido em parceria com a Secretaria Nacional de Cuidados e Família, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2022.

O levantamento mostra que o trabalho de cuidado continua sendo distribuído de forma desigual entre homens e mulheres. Entre as jovens, a dedicação às tarefas domésticas e aos cuidados com crianças, idosos e familiares aumenta significativamente na vida adulta, enquanto entre os homens o crescimento dessa carga é bem menor.

Na faixa de 15 a 17 anos, 78,4% das meninas conciliam os estudos com atividades domésticas ou de cuidado. Entre 18 e 24 anos, diminui o percentual das que apenas estudam e cuidam da casa, mas cresce o número das que acumulam três jornadas: trabalho remunerado, estudos e cuidados familiares. Já entre 25 e 29 anos, 57,4% exercem trabalho remunerado e também são responsáveis pelas atividades domésticas ou de cuidado. 

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Segundo os pesquisadores, essa sobrecarga reduz o tempo disponível para qualificação profissional, lazer, descanso e convivência social, além de impactar diretamente a saúde física e mental das jovens.

O estudo também chama atenção para a realidade das mulheres negras. De acordo com os dados, elas dedicam, em média, o dobro do tempo aos cuidados domésticos em comparação aos homens, fator que contribui para maiores dificuldades de inserção e permanência no mercado de trabalho e na educação.

Outro dado destacado pelos pesquisadores é que apenas 2% das mulheres jovens não exercem nenhuma atividade quando são considerados, além do trabalho remunerado e dos estudos, os cuidados domésticos e familiares. A constatação desafia a percepção de que grande parte da juventude estaria "sem fazer nada", ao reconhecer o trabalho de cuidado como uma atividade essencial, embora não remunerada. 

Especialistas afirmam que ampliar a oferta de creches, fortalecer políticas públicas de cuidado e promover uma divisão mais equilibrada das responsabilidades domésticas são medidas importantes para ampliar as oportunidades de educação, emprego e desenvolvimento profissional das jovens brasileiras. 

FONTE/CRÉDITOS: Folha

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