As campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) fecharam um acordo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quinta-feira (22), para disponibilizar a quebra de sigilos dos dois candidatos à Presidência. O documento foi protocolado a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25), em um processo relatado pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE. Mesmo com o acordo, cada lado colocou condições, e a forma de cumpri-lo ainda é motivo de troca de acusações.
COMO FOI O ACORDO?
Representantes das duas campanhas foram à sala de protocolo de petições do TSE. Segundo o relato, não houve reunião formal. O ponto de maior divergência foi a quebra do sigilo da empresa de Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal e amigo de Flávio. A campanha do PT diz que exigiu que isso fosse incluído no acordo. A do PL afirmou que será pedida uma autorização do próprio Willer para que as informações financeiras possam ser divulgadas.
O QUE DIZ A CAMPANHA DE LULA?
Segundo o PT, o documento entregue ao TSE permite a abertura dos sigilos, e os dados devem ficar públicos, para qualquer pessoa, em um site indicado pela Justiça Eleitoral, a partir das 23h59 de quinta-feira. O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha, disse que a equipe de Flávio resistiu a aceitar a condição, mas acabou cedendo. "Infelizmente nós tivemos um embate agora, para que a empresa, ou a relação, com Willer Tomaz não ficasse de fora desse gesto de transparência", afirmou. Ele acrescentou que o Judiciário tomará as providências cabíveis, mas que "quem vai julgar o Flávio vai ser o Brasil no dia 25".
O QUE DIZ A CAMPANHA DE FLÁVIO?
A advogada da campanha do PL, Maria Cláudia Bucchianeri, afirmou que tudo o que foi pedido na petição de Lula e na de Flávio foi aceito. Segundo ela, a campanha do senador oferecerá "sem nenhuma reserva" o que o adversário pediu. A equipe jurídica explicou, porém, que a quebra do sigilo de Flávio só será disponibilizada depois de confirmar que Lula cumpriu todas as exigências, e que a liberação será imediata se isso se confirmar.
A conferência dos documentos ficará a cargo do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da Lava Jato. Em entrevista à porta do TSE, ele disse que Lula não cumpriu o prometido. Para Dallagnol, o combinado era apresentar os documentos, e não apenas a autorização. "Nós saímos daqui é simplesmente mais um termo de compromissos", declarou.
QUAIS SIGILOS ENTRAM NO ACORDO?
Na quarta-feira (21), a campanha de Lula anunciou que aceitou as condições impostas por Flávio. O presidente concordou em estender a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Instituto Lula, ao seu assessor de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e ao cartão corporativo da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
COMO COMEÇOU A DISCUSSÃO?
O assunto surgiu no debate da Band, no domingo (18). Depois de Flávio acusar Lula de ladrão, o presidente disse que abriria seus sigilos bancário e telefônico para provar que seu patrimônio tem origem lícita, e lembrou suspeitas de corrupção envolvendo o senador do PL.
O QUE ESTÁ EM JOGO NO DOMINGO?
No domingo (25), os brasileiros escolhem o presidente entre Lula e Flávio. A votação acontece das 8h às 17h, no horário de Brasília.
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