Metade dos eleitores brasileiros acredita que existe a possibilidade de outros países interferirem nas eleições de 2026. O percentual é de 50%, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana e publicada pela Folha de S.Paulo neste domingo (23). Outros 43% descartam essa possibilidade, enquanto 8% não souberam ou não responderam.
O levantamento foi realizado entre terça-feira (18) e quinta-feira (20), período em que 2.058 eleitores foram entrevistados presencialmente em pontos de fluxo populacional no país.
A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.
Segundo reportagem publicada pela Folha, este é o primeiro levantamento do Datafolha realizado depois da conclusão do processo de registro das candidaturas e do início oficial da campanha eleitoral.
50% CONSIDERAM POSSÍVEL INTERFERÊNCIA
A pesquisa procurou identificar como os brasileiros enxergam a possibilidade de participação ou influência estrangeira no processo eleitoral do país.
Dos entrevistados, 50% responderam acreditar que existe chance de outros países interferirem nas eleições brasileiras.
Dentro desse grupo, porém, as opiniões são diferentes sobre o significado dessa possibilidade.
Para 32% do total de entrevistados, uma eventual interferência estrangeira representa um problema.
Outros 18% acreditam que existe possibilidade de interferência, mas afirmam não enxergar isso como um problema.
Já 43% dos entrevistados disseram não acreditar na possibilidade de outros países interferirem no pleito nacional.
Os que não souberam responder ou não manifestaram opinião representam 8%.
PESQUISA OCORRE EM MEIO A DECLARAÇÕES INTERNACIONAIS
A pergunta foi apresentada aos entrevistados em um contexto no qual manifestações de líderes estrangeiros sobre as eleições brasileiras ganharam espaço no debate político.
Segundo a Folha, ao fazer a pergunta, o Datafolha pediu aos entrevistados que considerassem manifestações de líderes de outros países sobre o processo eleitoral brasileiro.
O levantamento ocorre em meio a episódios envolvendo principalmente os Estados Unidos e a Argentina.
Nos últimos meses, o governo do presidente norte-americano Donald Trump adotou sobretaxas sobre produtos brasileiros e voltou a discutir sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na sexta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Trump e afirmou que o aumento de tarifas havia sido baseado em alegações consideradas infundadas pelo governo brasileiro envolvendo temas como Pix, etanol e importações relacionadas a trabalho forçado.
A Folha também cita reportagem do jornal norte-americano The Washington Post segundo a qual Trump planejava enviar auxiliares ao Brasil para levantar questionamentos sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro.
Na relação com a Argentina, o presidente Javier Milei fez declarações críticas a Lula e a Alexandre de Moraes.
Milei também esteve no Brasil para participar da convenção do PL que confirmou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa deste ano.
RESULTADO MOSTRA DIVISÃO ENTRE OS ELEITORES
Os percentuais encontrados pelo Datafolha mostram um eleitorado dividido sobre a possibilidade de interferência externa.
Enquanto 50% admitem alguma possibilidade de participação estrangeira, 43% não acreditam que isso possa ocorrer.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o grupo que acredita nessa possibilidade permanece numericamente superior ao daqueles que a descartam.
Há, porém, outra diferença importante dentro dos próprios 50%.
A percepção de que uma interferência possa acontecer não significa necessariamente que todos os entrevistados a considerem prejudicial. Dos eleitores ouvidos, 32% enxergam a possibilidade como um problema e 18% não.
A pesquisa mede a percepção dos entrevistados e não indica que tenha ocorrido ou que ocorrerá efetivamente interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
PESQUISA RETRATA MOMENTO DA CAMPANHA
O levantamento foi realizado pouco depois do início oficial da campanha eleitoral e após o encerramento do período de registro das candidaturas.
Pesquisas eleitorais representam a opinião manifestada pelos entrevistados no período em que o trabalho de campo foi realizado e não funcionam como previsão do resultado das urnas.
Neste levantamento, o Datafolha buscou medir especificamente a percepção dos brasileiros diante da possibilidade de influência estrangeira no processo eleitoral.
O resultado mostra que o assunto já está presente na avaliação de parcela significativa do eleitorado: metade dos entrevistados admite essa possibilidade, embora exista uma divisão sobre considerá-la ou não um problema.
As eleições estão marcadas para 4 de outubro. Caso seja necessário segundo turno, a segunda votação ocorrerá em 25 de outubro.

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