A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai apresentar aos candidatos à Presidência da República uma carta com sete compromissos para a saúde pública brasileira, entre eles a proposta de elevar o investimento público no setor para 7% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final do próximo mandato presidencial. Atualmente, segundo a instituição, esse percentual oscila em torno de 4%.
As informações foram publicadas neste domingo (23) pela coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O documento foi elaborado para contribuir com o debate sobre as políticas de saúde que serão adotadas no país a partir de 2027.
A proposta de ampliação dos recursos destinados à saúde é acompanhada por outras prioridades apresentadas pela Fiocruz às candidaturas.
Entre elas estão o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a valorização dos profissionais do setor e a ampliação da capacidade brasileira de produzir vacinas, medicamentos e tecnologias.
A instituição também defende ações voltadas à redução das desigualdades no acesso à saúde e medidas que aumentem a capacidade do país de responder a futuras emergências sanitárias.
DE CERCA DE 4% PARA 7% DO PIB
A proposta de maior impacto financeiro apresentada pela Fiocruz é elevar o investimento público em saúde para 7% do PIB até o final do próximo mandato.
De acordo com as informações publicadas pela Folha, o percentual atualmente oscila em torno de 4%.
A meta apresentada pela fundação significaria, portanto, uma ampliação expressiva da participação dos gastos públicos com saúde em relação ao tamanho da economia brasileira.
A carta, porém, estabelece um objetivo para o próximo governo. A reportagem da Folha não apresenta, no conteúdo publicado, um cálculo do valor adicional necessário para atingir os 7% nem detalha de onde deveriam sair os recursos para financiar essa expansão.
A proposta deverá agora ser levada aos candidatos à Presidência.
FORTALECIMENTO DO SUS
O aumento do financiamento integra uma discussão mais ampla apresentada pela Fiocruz sobre o futuro do SUS.
Além de defender mais recursos, a instituição coloca entre os compromissos a valorização dos trabalhadores da saúde.
Outro ponto é o fortalecimento da capacidade produtiva nacional.
A fundação defende ampliar a produção brasileira de vacinas, medicamentos e tecnologias utilizadas no setor.
A proposta está relacionada à capacidade do país de reduzir vulnerabilidades e ampliar sua autonomia diante da necessidade de medicamentos, imunizantes, equipamentos e outras tecnologias utilizadas pelo sistema de saúde.
PREPARAÇÃO PARA NOVAS EMERGÊNCIAS
A experiência de crises sanitárias recentes também aparece entre as preocupações apresentadas no documento.
A Fiocruz propõe que o país avance na preparação para novas emergências de saúde.
A carta inclui ainda a necessidade de enfrentar os impactos da crise climática sobre a população.
A relação entre clima e saúde ganhou relevância diante de eventos extremos e de alterações ambientais capazes de produzir consequências sobre diferentes áreas, incluindo a ocorrência e distribuição de doenças.
O documento também coloca a redução das desigualdades como parte das prioridades para o próximo mandato presidencial.
DESINFORMAÇÃO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Outro tema incluído pela Fiocruz é a circulação de informações sobre saúde.
A instituição defende políticas permanentes capazes de ampliar o acesso da população a informações confiáveis.
A preocupação envolve também as novas tecnologias.
Em relação à inteligência artificial, a proposta é que sua utilização na área da saúde siga critérios de responsabilidade e transparência e esteja orientada pelo interesse público.
O tema ganhou espaço à medida que ferramentas de inteligência artificial passaram a ser incorporadas a diferentes atividades, inclusive aquelas relacionadas à produção, interpretação e circulação de informações.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
A carta também aborda a atuação brasileira fora do país.
A Fiocruz propõe ampliar a cooperação internacional na área da saúde, com atenção especial aos países do chamado Sul Global.
O documento defende maior acesso a vacinas, medicamentos, tecnologias e conhecimento.
Também é proposta a criação de mecanismos permanentes de financiamento climático direcionados à saúde.
SETE COMPROMISSOS PARA O PRÓXIMO GOVERNO
A carta apresentada às candidaturas tem origem nas discussões internas realizadas pela própria Fiocruz.
Segundo a Folha, o documento foi inspirado nas decisões do X Congresso Interno da instituição, concluído em fevereiro deste ano.
A intenção declarada pela fundação é contribuir para o debate eleitoral não apenas entre os candidatos à Presidência, mas também junto às equipes de campanha, gestores, pesquisadores e à sociedade.
As propostas chegam ao debate público durante a campanha eleitoral de 2026 e procuram inserir a saúde entre as prioridades que deverão ser enfrentadas pelo governo que assumir a Presidência em janeiro de 2027.
A principal meta financeira é clara: elevar para 7% do PIB o investimento público em saúde até o encerramento do próximo mandato.
A efetivação dessa proposta, entretanto, dependeria de decisões políticas, orçamentárias e fiscais do próximo governo e do Congresso Nacional.
A carta funciona, portanto, como uma agenda apresentada pela Fiocruz aos candidatos, e não como uma medida já aprovada ou uma obrigação que passará automaticamente a valer a partir de 2027.

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