O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) antecipou o calendário de pagamentos do Bolsa Família com reajuste, e todas as 19,3 milhões de famílias atendidas em outubro vão receber até quarta-feira (21), quatro dias antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). A mudança foi informada às prefeituras e publicada em portaria no Diário Oficial da União desta segunda-feira (19), e o governo justifica a decisão pelos possíveis efeitos do super El Niño sobre famílias em situação de vulnerabilidade.
Pelo calendário original, os depósitos começariam hoje e iriam até 30 de outubro. Em regra, o Bolsa Família é pago nos últimos 10 dias úteis de cada mês, e cada final do Número de Inscrição Social (NIS) recebe em um dia. Se o cronograma tivesse sido mantido, metade das famílias só receberia o valor depois da votação, segundo a coluna de Carlos Madeiro, do UOL, que divulgou o caso. A antecipação também vale para novembro e dezembro, de acordo com o informe do ministério.
O QUE O GOVERNO DIZ
No documento, o MDS afirma que a medida “busca mitigar os possíveis eventos do super El Niño sobre as famílias em situação de vulnerabilidade” e lembra que ela já foi usada antes, como em maio de 2024, quando os pagamentos foram unificados para o Rio Grande do Sul.
O ministério cita previsões para o último trimestre de 2026: menos chuva que a média histórica em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, o que pode agravar a seca, e chuva acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste, com maior risco de enchentes, principalmente na Região Sul.
Os técnicos do MDS também apontam que, em agosto e setembro de 2026, houve 518 reconhecimentos federais de situação de emergência ou calamidade pública, mais que o dobro dos 253 do mesmo período de 2025. O aumento foi puxado pelas tempestades no Sul, com chuva intensa, granizo, vendaval e inundação.
QUANTO AS FAMÍLIAS VÃO RECEBER
O pagamento de outubro já inclui o reajuste de 15% anunciado pelo presidente Lula em 17 de setembro. Com isso, o benefício médio é de R$ 782,92, ou R$ 104,74 a mais que a média de setembro, e a folha mensal do programa subiu de R$ 13 bilhões para R$ 15 bilhões.
O REAJUSTE
O aumento anunciado em setembro é o primeiro do atual mandato de Lula e acompanha a inflação acumulada desde junho de 2023, quando o programa voltou a se chamar Bolsa Família, até agosto. O piso, que era de R$ 600, passa a R$ 691. Segundo o Ministério da Fazenda, o reajuste vai custar R$ 22 bilhões em 2027.
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