Pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentam menor tempo de sobrevida em comparação àqueles tratados na rede privada. É o que mostra um estudo brasileiro divulgado pela revista científica The Lancet Regional Health – Americas e publicado pela Folha de S.Paulo.
A pesquisa analisou dados de mais de 3 mil pacientes diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células, o tipo mais frequente da doença. Segundo os pesquisadores, a sobrevida mediana dos pacientes tratados pelo SUS foi de 18,6 meses, enquanto na saúde suplementar esse período chegou a 27,4 meses.
Os autores destacam que a diferença está relacionada a diversos fatores, entre eles o acesso mais rápido ao diagnóstico, exames especializados, tratamentos modernos e medicamentos de última geração disponíveis na rede privada.
Outro ponto identificado pelo estudo é que pacientes atendidos pelo SUS, em média, chegam aos serviços especializados com a doença em estágio mais avançado, reduzindo as chances de sucesso do tratamento.
Na prática, o câncer de pulmão costuma apresentar poucos sintomas nas fases iniciais. Quando sinais como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, perda de peso e presença de sangue no escarro aparecem, a doença muitas vezes já está em estágio avançado.
Segundo especialistas ouvidos pela Folha, reduzir o tempo entre a suspeita clínica, o diagnóstico e o início do tratamento é um dos principais desafios para aumentar a sobrevida dos pacientes atendidos pelo sistema público.
O câncer de pulmão está entre os tipos de tumor que mais causam mortes no Brasil e no mundo. O principal fator de risco continua sendo o tabagismo, responsável pela maior parte dos casos, embora pessoas que nunca fumaram também possam desenvolver a doença.
Para moradores de Santa Isabel, o estudo reforça a importância da prevenção e da busca por atendimento médico diante de sintomas persistentes, especialmente entre fumantes e ex-fumantes. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as possibilidades de tratamento e controle da doença.
Os pesquisadores ressaltam que a ampliação do acesso a exames, terapias inovadoras e atendimento especializado pode contribuir para reduzir as diferenças observadas entre os sistemas público e privado.
Fonte: Folha de S.Paulo e The Lancet Regional Health – Americas.

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