O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu que o país realiza atividades de espionagem contra a China ao comentar uma reportagem segundo a qual entidades chinesas teriam fornecido ao Irã imagens de satélite de uma base aérea antes de um ataque que matou três militares americanos.
A declaração foi dada neste domingo (13), durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One. Questionado sobre a suposta participação chinesa no episódio, Trump tratou a espionagem entre as duas potências como uma prática recíproca.
“Eles basicamente fazem o que nós fazemos”, afirmou.
Ao comentar as acusações de espionagem chinesa contra os Estados Unidos, Trump reconheceu que Washington também realiza atividades de inteligência contra Pequim.
“Dizem que a China nos espiona. Eu digo: vocês estão certos, e nós também os espionamos”, declarou o presidente.
A fala chama atenção por reconhecer publicamente uma prática normalmente tratada com reserva pelos governos, especialmente em uma relação diplomática marcada por disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas.
REPORTAGEM RELACIONA IMAGENS CHINESAS A ATAQUE DO IRÃ
As declarações ocorreram após uma reportagem do Wall Street Journal afirmar que autoridades americanas relacionaram imagens de satélite fornecidas por entidades chinesas a um ataque iraniano realizado em 17 de julho.
Segundo o relato, entidades da China teriam fornecido ao Irã imagens de alta resolução da Base Aérea de Muwaffaq Salti, localizada na Jordânia.
Posteriormente, a instalação foi atingida por um ataque com mísseis iranianos que matou três militares dos Estados Unidos.
De acordo com a reportagem, autoridades americanas consideram o episódio uma das evidências mais significativas até agora de que o apoio de entidades chinesas ao Irã durante o conflito produziu consequências letais para forças dos Estados Unidos.
Há, entretanto, uma distinção importante: as autoridades americanas citadas não identificaram publicamente quais entidades chinesas teriam fornecido as imagens e também não acusaram formalmente o governo de Pequim de participação direta no ataque.
Portanto, o relato aponta para a atuação de entidades chinesas, e não permite concluir que o governo chinês tenha planejado ou participado da ofensiva iraniana.
IMAGENS TERIAM SIDO OBTIDAS ANTES DO ATAQUE
O ponto central da informação está no possível uso de inteligência obtida por satélite antes da ofensiva.
Imagens de alta resolução podem fornecer informações detalhadas sobre instalações, estruturas e características de uma determinada área. Em contextos militares, esse tipo de material pode ter valor estratégico.
Segundo o relato citado por Trump, as imagens da base na Jordânia teriam chegado ao Irã antes do ataque de 17 de julho.
A reportagem não significa, entretanto, que esteja comprovada publicamente uma relação direta entre o fornecimento das imagens e todas as etapas de planejamento do ataque.
As informações divulgadas até agora também não esclarecem se as entidades chinesas sabiam de que maneira o material seria utilizado pelo Irã.
TRUMP EVITA TRANSFORMAR EPISÓDIO EM CONFRONTO DIRETO COM XI
Apesar da gravidade da informação, Trump adotou um tom menos confrontador ao falar diretamente sobre o presidente chinês, Xi Jinping.
Questionado se pretendia abordar o episódio com Xi durante uma visita aos Estados Unidos, Trump afirmou que o líder chinês tem se comportado “razoavelmente bem” e acrescentou que os americanos também vêm agindo dessa maneira.
Xi tem uma visita a Washington prevista para 24 de setembro, quando deverá se encontrar com Trump.
O encontro ocorrerá em um momento de competição estratégica entre as duas maiores potências econômicas do mundo e agora também sob a repercussão das informações envolvendo o ataque iraniano.
ESPIONAGEM É FONTE ANTIGA DE ATRITO ENTRE OS DOIS PAÍSES
Estados Unidos e China acumulam há anos acusações mútuas relacionadas a espionagem, operações de inteligência e segurança cibernética.
Os governos dos dois países já trocaram acusações envolvendo ataques virtuais, coleta de informações, tecnologia e monitoramento de estruturas estratégicas.
A particularidade da declaração deste domingo está na forma direta utilizada pelo presidente americano para reconhecer que os Estados Unidos também espionam a China.
Em vez de negar ou evitar o assunto, Trump apresentou as atividades de inteligência como parte de uma relação de reciprocidade entre as potências.
O contexto que provocou a declaração, entretanto, vai além da espionagem bilateral.
O que está sendo apurado é se entidades chinesas forneceram informações que posteriormente foram utilizadas pelo Irã antes de um ataque que provocou a morte de militares americanos.
Até o momento, não houve acusação pública de que o governo chinês tenha participado diretamente da operação iraniana.
A eventual identificação das entidades envolvidas e o esclarecimento sobre como as imagens chegaram ao Irã serão pontos importantes para determinar a dimensão da participação chinesa no episódio.

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