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Segunda-feira, 14 de Setembro 2026
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Trump admite que EUA espionam China após suspeita de apoio chinês a ataque do Irã

Presidente reagiu a relato sobre imagens de satélite usadas antes de ataque iraniano que matou três militares americanos

Trump admite que EUA espionam China após suspeita de apoio chinês a ataque do Irã
Peter Morrison
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu que o país realiza atividades de espionagem contra a China ao comentar uma reportagem segundo a qual entidades chinesas teriam fornecido ao Irã imagens de satélite de uma base aérea antes de um ataque que matou três militares americanos.

A declaração foi dada neste domingo (13), durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One. Questionado sobre a suposta participação chinesa no episódio, Trump tratou a espionagem entre as duas potências como uma prática recíproca.

“Eles basicamente fazem o que nós fazemos”, afirmou.

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Ao comentar as acusações de espionagem chinesa contra os Estados Unidos, Trump reconheceu que Washington também realiza atividades de inteligência contra Pequim.

“Dizem que a China nos espiona. Eu digo: vocês estão certos, e nós também os espionamos”, declarou o presidente.

A fala chama atenção por reconhecer publicamente uma prática normalmente tratada com reserva pelos governos, especialmente em uma relação diplomática marcada por disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas.

REPORTAGEM RELACIONA IMAGENS CHINESAS A ATAQUE DO IRÃ

As declarações ocorreram após uma reportagem do Wall Street Journal afirmar que autoridades americanas relacionaram imagens de satélite fornecidas por entidades chinesas a um ataque iraniano realizado em 17 de julho.

Segundo o relato, entidades da China teriam fornecido ao Irã imagens de alta resolução da Base Aérea de Muwaffaq Salti, localizada na Jordânia.

Posteriormente, a instalação foi atingida por um ataque com mísseis iranianos que matou três militares dos Estados Unidos.

De acordo com a reportagem, autoridades americanas consideram o episódio uma das evidências mais significativas até agora de que o apoio de entidades chinesas ao Irã durante o conflito produziu consequências letais para forças dos Estados Unidos.

Há, entretanto, uma distinção importante: as autoridades americanas citadas não identificaram publicamente quais entidades chinesas teriam fornecido as imagens e também não acusaram formalmente o governo de Pequim de participação direta no ataque.

Portanto, o relato aponta para a atuação de entidades chinesas, e não permite concluir que o governo chinês tenha planejado ou participado da ofensiva iraniana.

IMAGENS TERIAM SIDO OBTIDAS ANTES DO ATAQUE

O ponto central da informação está no possível uso de inteligência obtida por satélite antes da ofensiva.

Imagens de alta resolução podem fornecer informações detalhadas sobre instalações, estruturas e características de uma determinada área. Em contextos militares, esse tipo de material pode ter valor estratégico.

Segundo o relato citado por Trump, as imagens da base na Jordânia teriam chegado ao Irã antes do ataque de 17 de julho.

A reportagem não significa, entretanto, que esteja comprovada publicamente uma relação direta entre o fornecimento das imagens e todas as etapas de planejamento do ataque.

As informações divulgadas até agora também não esclarecem se as entidades chinesas sabiam de que maneira o material seria utilizado pelo Irã.

TRUMP EVITA TRANSFORMAR EPISÓDIO EM CONFRONTO DIRETO COM XI

Apesar da gravidade da informação, Trump adotou um tom menos confrontador ao falar diretamente sobre o presidente chinês, Xi Jinping.

Questionado se pretendia abordar o episódio com Xi durante uma visita aos Estados Unidos, Trump afirmou que o líder chinês tem se comportado “razoavelmente bem” e acrescentou que os americanos também vêm agindo dessa maneira.

Xi tem uma visita a Washington prevista para 24 de setembro, quando deverá se encontrar com Trump.

O encontro ocorrerá em um momento de competição estratégica entre as duas maiores potências econômicas do mundo e agora também sob a repercussão das informações envolvendo o ataque iraniano.

ESPIONAGEM É FONTE ANTIGA DE ATRITO ENTRE OS DOIS PAÍSES

Estados Unidos e China acumulam há anos acusações mútuas relacionadas a espionagem, operações de inteligência e segurança cibernética.

Os governos dos dois países já trocaram acusações envolvendo ataques virtuais, coleta de informações, tecnologia e monitoramento de estruturas estratégicas.

A particularidade da declaração deste domingo está na forma direta utilizada pelo presidente americano para reconhecer que os Estados Unidos também espionam a China.

Em vez de negar ou evitar o assunto, Trump apresentou as atividades de inteligência como parte de uma relação de reciprocidade entre as potências.

O contexto que provocou a declaração, entretanto, vai além da espionagem bilateral.

O que está sendo apurado é se entidades chinesas forneceram informações que posteriormente foram utilizadas pelo Irã antes de um ataque que provocou a morte de militares americanos.

Até o momento, não houve acusação pública de que o governo chinês tenha participado diretamente da operação iraniana.

A eventual identificação das entidades envolvidas e o esclarecimento sobre como as imagens chegaram ao Irã serão pontos importantes para determinar a dimensão da participação chinesa no episódio.

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