O Isabelense - Notícias de Santa Isabel em tempo real!

Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 23 de Abril 2026

Colunas/Jornada de Transformação

Você não está perdido: talvez só viva um luto que ninguém reconheceu

Você não está perdido, apenas vivendo um luto invisível que ninguém te ensinou a reconhecer, compreender e finalmente encerrar por dentro

Você não está perdido: talvez só viva um luto que ninguém reconheceu
Freepik
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Você não está perdido… só está vivendo um luto que ninguém te ensinou a reconhecer

Ninguém te avisou que existiriam perdas, perdas que não teriam nome, não teriam espaço, não teriam permissão para doer.

Porque quando alguém morre, existe um ritual.
Existe uma pausa.
Existe um momento em que o mundo reconhece a dor.

Mas e quando o que morre, não é alguém?

E quando o que se perde é invisível aos olhos mas impossível de ignorar por dentro?

A vida que você imaginou.
O futuro que você construiu em silêncio.
A versão de você que existia, antes de tudo mudar.

Para essas perdas, não existe pausa.
Não existe acolhimento.
Existe continuidade.

Existe a expectativa de que você siga.
De que você funcione.
De que você seja forte.

E você foi.

Você continuou.
Você se manteve.
Você fez o que precisava ser feito.

Mas, em algum ponto…
algo em você não veio junto.

E a verdade é que esse tipo de perda não faz barulho.
Ela não grita.
Ela não pede atenção.

Ela silencia.

Silencia a sua leveza.
Silencia o seu entusiasmo.
Silencia partes suas que antes eram naturais, e que hoje parecem distantes, quase irreais.

E, pouco a pouco, você aprende.

Aprende a viver assim.
Aprende a não tocar no assunto.
Aprende a evitar o que pode abrir aquilo que nunca foi fechado.

E então a vida segue.

Você acorda.
Resolve o que precisa.
Conversa, responde, produz.
Até sorri, quando é necessário.

Mas existe uma distância.

Uma distância sutil, constante, silenciosa.

Como se houvesse sempre uma parte sua observando de fora.
Como se a vida estivesse acontecendo, mas sem você inteiro dentro dela.

E, às vezes, sem dizer a ninguém,
vem a pergunta:

“Por que eu não consigo voltar a ser quem eu era?”

Mas, no fundo, você sabe.

Sabe que não é sobre voltar.

Porque uma parte sua entende  mesmo que você não diga em voz alta que não existe retorno.

E é exatamente isso que dói.

Não foi só o que se perdeu.
Foi quem você deixou de ser depois daquilo.

E como ninguém te ensinou a viver esse tipo de luto, você fez o que era possível.

Você seguiu.

Se adaptou.
Se ajustou.
Se convenceu, de que estava tudo bem.

Mas o que não é sentido, não se encerra.

O que não é olhado, não se dissolve.

Fica.

E, em silêncio, começa a se mostrar de outras formas.

Na ansiedade que aparece sem aviso.
No desconforto que não tem explicação clara.
Na dificuldade de se permitir sentir de novo de se abrir, de confiar, de simplesmente estar.

Porque existe uma parte sua, que ainda está lá.

Parada.

Tentando entender.
Tentando organizar.
Tentando encontrar um fim para algo que nunca foi finalizado.

E enquanto isso, você se divide.

Uma parte segue.
Outra parte espera.

Espera algo que não tem nome.
Que não tem forma.
Mas que é sentido.

Talvez um alívio.
Talvez uma resposta.
Talvez, só a sensação de voltar a se sentir inteiro.

Mas o tempo passa.

E nada disso chega.

Porque o tempo não resolve o que foi interrompido.
Ele apenas ensina você a suportar melhor.

E suportar, não é o mesmo que estar em paz.

Existe uma diferença, silenciosa, mas profunda 
entre quem aprendeu a continuar, e quem realmente se resolveu por dentro.

E essa diferença molda tudo.

Suas escolhas.
Seus relacionamentos.
A forma como você se percebe.
A forma como você vive… ou apenas mantém a vida acontecendo.

A verdade é simples…
e difícil de ignorar quando é vista:

Você não está quebrado.
E também não está exagerando.

Você só está tentando seguir, com algo dentro de você que nunca foi finalizado.

E tudo que não é finalizado, permanece. Permanece pedindo um fechamento. Permanece influenciando, mesmo em silêncio. Permanece, até ser resolvido.

Não importa o tempo.
Não importa o quanto você evite.

Uma hora isso volta.

Não para te derrubar.
Mas para ser encerrado da forma certa.

E esse é o ponto que muda tudo:

Algumas dores não precisam de mais tempo.
Precisam de acesso.

Porque quando você acessa a raiz, o que parecia permanente encontra um fim.

E, pela primeira vez,
seguir em frente deixa de ser esforço, e passa a ser natural.

Willian Gomes

Comentários:
WILLIAN GOMES

Publicado por:

WILLIAN GOMES

Willian Gomes dedica sua vida a acolher pessoas com dores emocionais. Já ajudou centenas a superarem ansiedade e depressão, oferecendo escuta, segurança e apoio para recomeçar com leveza e autenticidade.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp O Isabelense
Envie sua mensagem, vamos responder assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR