Os Estados Unidos ampliaram a lista de produtos brasileiros que ficarão isentos da tarifa de 25% anunciada pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), mais de 2.100 itens não serão atingidos pela sobretaxa, que entra em vigor no próximo dia 22 de julho.
A decisão foi divulgada após a conclusão de audiências públicas realizadas com representantes da indústria e de diferentes setores econômicos. Com isso, diversos produtos considerados estratégicos para a economia americana passaram a integrar a lista de exceções.
Para o morador de Santa Isabel, a medida ajuda a reduzir parte dos impactos da nova política comercial sobre a economia brasileira. Embora a tarifa continue valendo para milhares de produtos, a ampliação das isenções preserva importantes cadeias de exportação, diminuindo os riscos para empresas, empregos e arrecadação.
Entre os itens que permanecerão livres da tarifa estão carne bovina, café, laranja, suco de laranja e componentes utilizados na fabricação de aeronaves, produtos de grande relevância para a pauta exportadora brasileira.
Também foram incluídos ferro-gusa, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, determinados frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos, insumos farmacêuticos, antiguidades, obras de arte e roupas usadas.
De acordo com o governo americano, esses produtos foram poupados porque possuem pouca oferta interna nos Estados Unidos ou são considerados essenciais para a indústria local. Em muitos casos, o USTR concluiu que substituir fornecedores brasileiros seria difícil ou provocaria aumento significativo dos custos para empresas americanas.
Por outro lado, diversos pedidos de isenção foram rejeitados. Permanecem sujeitos à tarifa setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e vários produtos manufaturados.
Segundo o USTR, esses produtos podem ser adquiridos em outros mercados internacionais sem causar impactos relevantes à economia americana.
A revisão também endureceu algumas regras previstas inicialmente. A celulose de alta pureza, por exemplo, deixou de integrar a lista de exceções após manifestações que relacionaram parte da produção brasileira a práticas de desmatamento ilegal. Já alguns produtos químicos tiveram a isenção limitada exclusivamente ao uso farmacêutico.
A nova tarifa faz parte da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O procedimento analisou temas como o comércio de etanol, regras relacionadas ao Pix, propriedade intelectual e questões ambientais ligadas ao desmatamento.
Apesar da ampliação das exceções, especialistas avaliam que a medida continua representando um desafio para diversos segmentos exportadores brasileiros. Ao mesmo tempo, a manutenção das isenções para produtos estratégicos reduz parte dos efeitos esperados sobre a balança comercial entre os dois países.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se