O anúncio do lançamento do BYD Dolphin G, que deverá chegar ao mercado brasileiro com preço estimado entre R$ 130 mil e R$ 150 mil, já começa a movimentar o setor automotivo antes mesmo de o modelo chegar às concessionárias. Segundo especialistas ouvidos pelo Jornal do Carro, do Estadão, o novo híbrido plug-in poderá pressionar os preços de veículos novos e seminovos, principalmente na faixa de R$ 120 mil a R$ 160 mil.
Para quem mora em Santa Isabel e pretende trocar de carro nos próximos meses, a novidade pode representar tanto uma oportunidade quanto um alerta. Quem deseja comprar um veículo usado poderá encontrar um mercado mais competitivo, enquanto proprietários de modelos que disputam a mesma faixa de preço podem enfrentar maior desvalorização na revenda.
O principal atrativo do Dolphin G é a relação entre preço e tecnologia. O modelo deverá ser produzido em Camaçari (BA), será equipado com motorização híbrida plug-in flex e terá autonomia de até 1.040 quilômetros com um tanque de combustível e a bateria totalmente carregada. No modo exclusivamente elétrico, a autonomia poderá chegar a 104 quilômetros.
Na Europa, o veículo utiliza um motor 1.5 aspirado de 95 cavalos combinado a um motor elétrico de 163 cavalos, alcançando potência combinada de 212 cavalos. O pacote tecnológico inclui central multimídia de 12,8 polegadas, câmera 360 graus, sistema Google integrado, head-up display e função Vehicle-to-Load (V2L), que permite utilizar a bateria do carro para alimentar equipamentos elétricos.
Segundo o diretor de marketing da Bright Consulting, Cassio Pagliarini, caso o modelo mantenha o preço estimado para o Brasil, poderá provocar uma mudança importante no segmento de híbridos.
Atualmente, o híbrido pleno mais barato vendido no país é o Omoda 5 HEV, com preço inicial de R$ 159.990. Já o Toyota Yaris Cross XRE Hybrid parte de R$ 172.390. Com valor inferior, o Dolphin G também passará a disputar consumidores de SUVs compactos como Volkswagen Tera High (R$ 146.190), Volkswagen T-Cross 200 TSI (R$ 151.490) e Hyundai Creta Comfort Safety (R$ 156.590).
De acordo com levantamento da Bright Consulting citado pelo Estadão, o mercado automobilístico brasileiro já apresenta uma tendência de redução nos preços. O preço público médio dos veículos caiu 1,5% em relação a 2025, atingindo R$ 169.984. Já o valor médio efetivamente negociado recuou 3,5%, chegando a R$ 152.148 em junho deste ano.
Apesar das expectativas geradas nas redes sociais sobre uma queda generalizada nos preços dos seminovos, especialistas afirmam que o impacto deverá ser mais concentrado.
O CEO da Auto Avaliar, J.R. Caporal, explica que o mercado de usados é segmentado. Na prática, o novo modelo da BYD tende a afetar principalmente veículos concorrentes que hoje custam entre R$ 120 mil e R$ 160 mil.
Segundo o executivo, consumidores poderão optar por adquirir um carro zero-quilômetro híbrido, com garantia de fábrica, tecnologia atualizada e menor consumo de combustível, em vez de comprar um seminovo pelo mesmo valor.
Por outro lado, Caporal avalia que não haverá uma desvalorização generalizada dos usados. A procura aquecida por seminovos, a oferta limitada de veículos em bom estado e as restrições de crédito continuam sustentando parte dos preços no mercado.
Para quem pretende vender um veículo nos próximos meses, especialistas recomendam acompanhar os lançamentos e avaliar o momento da negociação. Já quem pensa em comprar um automóvel poderá encontrar condições mais competitivas à medida que montadoras e concessionárias ajustem suas estratégias comerciais para enfrentar a chegada do novo concorrente.
Fonte: Jornal do Carro – O Estado de S. Paulo

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