Comprar alimentos e medicamentos na mesma viagem ao supermercado começa a se tornar realidade para os consumidores paulistas. A partir da nova Lei Estadual nº 15.357/2026, supermercados passaram a poder instalar farmácias em suas dependências, desde que em espaços separados da área de vendas e com a presença de um farmacêutico durante todo o horário de funcionamento.
A novidade estreou nesta quinta-feira (16) com a inauguração da primeira unidade do Assaí Farma, instalada no Assaí Anhanguera, na capital paulista. A rede pretende abrir outras 25 unidades ainda este ano no Estado de São Paulo e planeja chegar a cerca de 250 lojas nos próximos dois ou três anos.
Para quem mora em Santa Isabel, a mudança pode representar mais comodidade e, no futuro, maior concorrência entre os estabelecimentos que comercializam medicamentos. Embora ainda não haja previsão de implantação desse modelo no município, especialistas avaliam que a entrada dos supermercados no setor pode aumentar as opções de compra para os consumidores.
A primeira unidade do Assaí Farma ocupa uma área de 100 metros quadrados, possui caixa exclusivo e oferece aproximadamente 12 mil produtos, incluindo medicamentos com e sem prescrição, dermocosméticos e serviços farmacêuticos como aplicação de injeções, aferição de pressão arterial, testes de glicemia, Covid-19 e gripe, além de perfuração de orelha.
Segundo pesquisa realizada pelo próprio Assaí em 2025, 78% dos clientes afirmaram que comprariam medicamentos em farmácias instaladas dentro dos supermercados. Atualmente, a rede recebe cerca de 40 milhões de consumidores por mês em seus 313 atacarejos espalhados pelo país.
O setor farmacêutico brasileiro movimentou R$ 227 bilhões em 2025, crescimento de 12% em relação ao ano anterior, tornando o Brasil o oitavo maior mercado de medicamentos do mundo, segundo dados do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).
Entre os produtos que mais impulsionam esse crescimento estão as chamadas canetas emagrecedoras. Somente em 2025, a venda desses medicamentos aumentou 42%, alcançando 8,7 milhões de unidades comercializadas, conforme levantamento da consultoria IQVIA.
Apesar das expectativas de preços menores, especialistas afirmam que isso não deve acontecer imediatamente. O diretor de Farmácias do Assaí, Vagner Moraes, reconhece que a empresa ainda não possui volume de compras suficiente para negociar valores mais baixos com a indústria farmacêutica.
Hoje, o preço dos medicamentos no Brasil é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão estabelece o preço máximo que pode ser cobrado do consumidor, limitando a margem de atuação dos varejistas.
Mesmo assim, representantes do setor acreditam que a chegada de novos concorrentes poderá aumentar a competitividade. Enquanto as grandes redes de farmácia concentram cerca de 60% das vendas do mercado, o setor supermercadista é muito mais pulverizado, reunindo mais de mil empresas para atingir participação semelhante.
Além do Assaí, outras empresas já se movimentam para disputar esse mercado. A Plurix pretende iniciar projetos-piloto em seis supermercados do interior paulista, enquanto o Carrefour anunciou novas unidades de drogarias ligadas ao Atacadão. O Grupo Mateus também estreou recentemente no segmento farmacêutico.
Especialistas, porém, avaliam que a mudança não deverá provocar uma transformação imediata no mercado. Segundo consultores ouvidos pela Folha de S.Paulo, a instalação de farmácias exige investimentos elevados, equipe especializada e alto fluxo de clientes, tornando o modelo mais viável para grandes atacarejos e hipermercados.
Na prática, a tendência é que o consumidor seja beneficiado com maior conveniência e, à medida que a concorrência aumente, possa encontrar melhores condições comerciais em alguns medicamentos e serviços farmacêuticos.

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