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Terça-feira, 08 de Setembro 2026
Notícias/Mercado de Trabalho

Veja quais setores vão liderar a criação de empregos na próxima década

Projeção oficial prevê 5,9 milhões de novos postos nos EUA até 2035, com envelhecimento da população e tecnologia entre os motores

Veja quais setores vão liderar a criação de empregos na próxima década
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O mercado de trabalho da próxima década deverá crescer mais lentamente, mas algumas áreas podem avançar muito acima da média. Saúde, tecnologia e energia renovável aparecem entre os principais destaques das novas projeções para os Estados Unidos, que ajudam a identificar transformações capazes de influenciar também a demanda por profissionais em outras economias.

As estimativas são do Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão do governo norte-americano responsável pelas estatísticas de trabalho, e consideram o período entre 2025 e 2035. Os dados foram abordados em reportagem publicada pelo Estadão neste domingo (6).

A projeção é de que a economia norte-americana acrescente aproximadamente 5,9 milhões de empregos no período, levando o total de postos de trabalho para 176,2 milhões em 2035.

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O número geral, entretanto, conta apenas parte da história.

As mudanças demográficas, o envelhecimento da população, a expansão dos serviços de saúde, o avanço da inteligência artificial e a transição energética devem fazer determinadas profissões crescerem muito mais rapidamente do que o mercado como um todo.

Isso significa que escolher uma área profissional olhando apenas para os empregos disponíveis hoje pode não ser suficiente. A composição do mercado de trabalho também está mudando.

SAÚDE GANHA ESPAÇO COM ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO

A área de saúde aparece entre as grandes beneficiadas pelas mudanças demográficas previstas para os próximos anos.

O envelhecimento da população aumenta a necessidade de atendimento médico, cuidados de longa duração, assistência domiciliar e diferentes serviços relacionados à saúde.

Esse movimento não cria oportunidades somente para médicos.

Profissionais de enfermagem, assistência e cuidados pessoais estão entre aqueles que tendem a encontrar uma demanda crescente à medida que aumenta a parcela mais velha da população.

O fenômeno possui uma característica importante: muitas dessas atividades dependem diretamente da presença humana e são mais difíceis de substituir integralmente por automação.

Assim, enquanto a inteligência artificial e outras tecnologias podem transformar tarefas administrativas e técnicas, o cuidado direto com pacientes permanece como uma atividade intensiva em mão de obra.

TECNOLOGIA CONTINUA CRESCENDO, MAS O PERFIL DO PROFISSIONAL MUDA

A tecnologia também permanece entre as áreas com perspectivas de expansão.

A disseminação da inteligência artificial, a necessidade crescente de processamento de dados, a digitalização das empresas e a preocupação com segurança da informação aumentam a procura por determinadas especialidades.

Isso não significa, porém, que qualquer emprego ligado à tecnologia esteja automaticamente protegido.

A própria inteligência artificial capaz de criar novas funções também automatiza tarefas atualmente realizadas por trabalhadores.

O cenário projetado é, portanto, de transformação: determinadas ocupações podem perder espaço enquanto outras, especialmente aquelas ligadas ao desenvolvimento, implantação, manutenção e segurança das novas tecnologias, ganham importância.

Profissionais capazes de trabalhar com dados, sistemas computacionais e segurança digital tendem a ocupar posições estratégicas nesse processo.

ENERGIA RENOVÁVEL TEM ALGUMAS DAS MAIORES TAXAS DE CRESCIMENTO

Outra mudança importante aparece no setor energético.

Profissões relacionadas à geração de energia solar e eólica estão entre aquelas com perspectivas de forte crescimento percentual até 2035.

A expansão acompanha investimentos em novas fontes de geração e a substituição gradual de parte da infraestrutura energética tradicional.

Entre as atividades beneficiadas estão trabalhos técnicos diretamente ligados à instalação, operação e manutenção dos equipamentos utilizados pelas novas fontes de energia.

É um exemplo de como a transformação tecnológica não cria oportunidades somente para profissionais com formação universitária.

Parte dos empregos associados às novas indústrias exige formação técnica e qualificação profissional específica.

CRESCER MAIS NÃO SIGNIFICA CRIAR MAIS VAGAS

Existe uma diferença importante na interpretação das projeções.

Uma profissão pode apresentar crescimento percentual muito elevado e, ainda assim, gerar menos empregos em números absolutos do que outra ocupação com crescimento proporcional menor.

Isso acontece porque algumas profissões começam a década com uma quantidade relativamente pequena de trabalhadores.

Se uma atividade passa de 10 mil para 15 mil profissionais, por exemplo, registra crescimento de 50%, embora tenha criado somente 5 mil vagas.

Já uma ocupação com milhões de trabalhadores pode crescer apenas alguns pontos percentuais e acrescentar centenas de milhares de postos.

Por isso, as projeções precisam ser observadas sob duas perspectivas: quais profissões devem crescer mais rapidamente e quais efetivamente devem acrescentar o maior número de empregos.

NEM TODAS AS ÁREAS TERÃO O MESMO FUTURO

Enquanto saúde, tecnologia e energia apresentam oportunidades, outras atividades tendem a enfrentar redução de postos de trabalho.

Automação, comércio eletrônico e novas ferramentas digitais continuam modificando funções administrativas e ocupações baseadas em tarefas repetitivas.

Trabalhos que podem ser padronizados e executados por sistemas tecnológicos estão mais expostos a esse processo.

Isso não significa necessariamente o desaparecimento completo dessas profissões.

Em muitos casos, ocorre uma mudança nas tarefas realizadas pelo trabalhador: atividades repetitivas são automatizadas enquanto aumentam as responsabilidades que dependem de análise, tomada de decisão, relacionamento humano ou domínio de ferramentas tecnológicas.

QUALIFICAÇÃO SE TORNA PARTE CENTRAL DA DISCUSSÃO

As projeções também mostram que falar sobre o futuro do emprego significa discutir qualificação profissional.

O surgimento de novas oportunidades não garante automaticamente que os trabalhadores atualmente disponíveis estejam preparados para ocupá-las.

Um profissional que perde uma função administrativa para a automação, por exemplo, não se transforma imediatamente em especialista em segurança cibernética, técnico de energia solar ou profissional de saúde.

Existe uma distância de formação entre empregos que podem desaparecer e aqueles que estão surgindo.

É nesse ponto que ensino técnico, universidades, programas de capacitação e requalificação profissional passam a ter papel importante na adaptação do trabalhador às transformações previstas para os próximos anos.

PROJEÇÕES SÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Há uma ressalva fundamental para interpretar os números: o levantamento do BLS trata do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Portanto, os 5,9 milhões de empregos projetados e as estimativas por profissão não podem ser transportados diretamente para o Brasil.

O mercado brasileiro possui características econômicas, demográficas, educacionais e trabalhistas próprias.

Ainda assim, algumas das forças estruturais presentes na projeção norte-americana também estão em curso no Brasil e em outras partes do mundo, como envelhecimento populacional, digitalização, inteligência artificial e expansão das fontes renováveis de energia.

Por isso, o estudo funciona menos como uma previsão de quantas vagas serão abertas no Brasil e mais como um indicador das transformações que já estão redesenhando diferentes mercados de trabalho.

Para quem está escolhendo uma profissão, planejando uma mudança de carreira ou decidindo em qual qualificação investir, a mensagem das projeções é clara: o mercado da próxima década não será simplesmente maior ou menor. Ele será diferente.

E algumas das maiores oportunidades poderão estar justamente nas áreas ligadas às transformações demográficas, tecnológicas e energéticas que já estão acontecendo.

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