O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros continua repercutindo não apenas na economia, mas também na política. Uma pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (27) mostra que 52% dos brasileiros acreditam que as medidas adotadas pelo presidente norte-americano Donald Trump têm como objetivo favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Outros 37% discordam dessa avaliação e 11% não souberam responder.
O levantamento ajuda a entender como o tema vem sendo percebido também por moradores do Alto Tietê, região diretamente afetada pelas sobretaxas devido à forte presença de empresas exportadoras. Reportagem publicada pelo Portal O Isabelense mostrou que somente os municípios do Alto Tietê exportaram US$ 225,9 milhões para os Estados Unidos no período analisado, com Suzano concentrando quase 85% desse total. Assim, além dos reflexos econômicos, o assunto passou a integrar o debate político nacional.
Segundo o Datafolha, 74% dos entrevistados defendem que o Brasil negocie uma solução diplomática com os Estados Unidos em vez de retaliar comercialmente o governo americano. Apenas 17% apoiam uma resposta com novas tarifas contra produtos norte-americanos.
A pesquisa também mostra divisão sobre quem seria o principal responsável pela crise comercial. Para 35% dos entrevistados, a responsabilidade é do governo Lula. Outros 28% atribuem a culpa diretamente ao presidente Donald Trump. Já 23% responsabilizam os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro pela escalada da tensão entre os dois países.
O levantamento ainda indica que 34% concordam com a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o adversário político tem responsabilidade pelo tarifaço. Já 26% consideram correta a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, de que o governo brasileiro falhou na condução das negociações com os Estados Unidos. Outros 24% afirmam que nenhum dos dois está certo.
A discussão ganhou força porque o tarifaço passou a ser tratado como tema central da pré-campanha presidencial de 2026. O senador Flávio Bolsonaro chegou a solicitar ao governo norte-americano que adiasse a aplicação das tarifas, argumentando que a medida poderia beneficiar politicamente o presidente Lula durante a campanha eleitoral.
Para os moradores do Alto Tietê, onde cidades como Suzano, Mogi das Cruzes, Arujá e Guararema mantêm relações comerciais com empresas norte-americanas, a preocupação vai além da disputa política. O aumento das tarifas pode afetar exportações, produção industrial, geração de empregos e investimentos na região, especialmente em municípios cuja economia depende do comércio exterior.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026.

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