Em meio aos debates sobre sustentabilidade que antecedem a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), uma pesquisa da Nexus em parceria com a Ajinomoto Brasil revela um dado alarmante: apenas 50% dos brasileiros sabem o que são sistemas alimentares sustentáveis.
O número acende um alerta para municípios com vocação agrícola, como Santa Isabel, sobre o desafio de conectar a produção rural ao consumo consciente.
O conceito, desconhecido pela outra metade da população, define um conjunto de práticas que envolvem desde a produção até o descarte dos alimentos. Tais sistemas são fundamentais para garantir o equilíbrio entre saúde, meio ambiente e economia.
O levantamento, feito com mais de 2 mil pessoas em todo o país, buscou entender como a população percebe a relação entre alimentação e sustentabilidade, tema que estará no centro das discussões internacionais em Belém (PA).
Segundo o estudo, 47% dos entrevistados afirmaram que nunca ouviram falar sobre sistemas alimentares sustentáveis e 3% não souberam responder. O desconhecimento é maior entre pessoas com baixa renda e escolaridade, além de moradores das regiões Norte e Centro-Oeste.
Apesar da falta de conhecimento técnico, a pesquisa mostra que a base para a mudança existe. Sete em cada dez brasileiros reconhecem a importância da sustentabilidade para o futuro do planeta. Quando o tema é associado diretamente à produção e ao consumo de alimentos, 68% dos entrevistados o consideram de extrema relevância.
O abismo entre a produção de qualidade e o consumidor final é outro ponto crítico. A pesquisa mostra que selos e certificados de qualidade presentes nos produtos são desconhecidos por 80% da população.
Consequentemente, apenas 16% dos brasileiros dizem verificar os rótulos com frequência no momento da compra. Este hábito é mais comum entre quem tem renda acima de cinco salários mínimos.
O diagnóstico aponta que o problema está menos na rejeição ao tema e mais na falha de comunicação. Quando o conceito é explicado aos entrevistados, 60% reconhecem sua importância, o que indica um longo caminho de educação e conscientização para o consumidor, inclusive em Santa Isabel.

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