A prevenção da gravidez na adolescência vai além do acesso à informação e depende da combinação entre diálogo, orientação adequada, acesso aos serviços de saúde e aos métodos contraceptivos. O alerta é do pediatra especialista em saúde do adolescente Dr. Benito Lourenço, em conteúdo divulgado pelo Brasil 61.
Segundo o especialista, apesar da redução gradual dos índices nos últimos anos, a gravidez na adolescência ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil. Somente em 2023, mais de 300 mil partos foram registrados entre meninas de 10 a 19 anos, o equivalente a uma em cada oito gestantes no país. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
Além dos impactos sociais, a gestação nessa faixa etária pode trazer riscos à saúde da mãe e do bebê. Entre as complicações mais frequentes estão diabetes gestacional, anemia, infecções e problemas durante o parto. Também é comum que a gravidez precoce resulte na interrupção dos estudos e dificulte a inserção das jovens no mercado de trabalho, comprometendo oportunidades futuras.
De acordo com o médico, a prevenção não deve se limitar ao uso do preservativo. Embora a camisinha seja fundamental para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), seu uso isolado apresenta uma taxa de falha maior na prevenção da gravidez quando comparado a métodos contraceptivos de longa duração.
Entre as opções consideradas mais eficazes estão o Dispositivo Intrauterino (DIU) e o implante hormonal. Segundo o especialista, esses métodos apresentam taxa de falha inferior a 0,4% ao ano e podem ser indicados também para adolescentes. Ambos estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme avaliação dos profissionais de saúde.
O especialista reforça que enfrentar a gravidez na adolescência exige um trabalho conjunto entre famílias, escolas e serviços de saúde. O diálogo aberto sobre sexualidade, planejamento reprodutivo e projeto de vida é apontado como uma das principais ferramentas para reduzir os índices de gravidez não planejada entre adolescentes.
Organizações nacionais e internacionais também destacam que a gravidez precoce está relacionada a fatores sociais, econômicos e ao acesso desigual à informação e aos serviços de saúde. Por isso, especialistas defendem políticas públicas voltadas à educação, à proteção social e ao fortalecimento da atenção básica como estratégias fundamentais para ampliar as oportunidades dos jovens e reduzir esse cenário.
Para adolescentes e famílias de Santa Isabel, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima em caso de dúvidas sobre métodos contraceptivos, saúde sexual e reprodutiva ou planejamento familiar. O atendimento é oferecido gratuitamente pelo SUS.

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