O governo dos Estados Unidos anunciou novas regras para a permanência de estudantes e jornalistas estrangeiros no país. A medida, divulgada nesta quinta-feira (16), estabelece limites de tempo para diferentes categorias de vistos e faz parte do endurecimento da política migratória da gestão do presidente Donald Trump.
Segundo as novas normas, que devem entrar em vigor em setembro caso não sejam bloqueadas pelo Congresso norte-americano, estudantes internacionais poderão permanecer legalmente nos Estados Unidos por até quatro anos. Já os jornalistas estrangeiros terão autorização inicial para permanecer por até 240 dias, cerca de oito meses.
A mudança também estabelece regras mais rígidas para jornalistas chineses, cujos vistos passarão a ter validade máxima de 90 dias.
As alterações atingem três categorias de vistos. O visto F, destinado a estudantes internacionais; o visto J, utilizado por participantes de programas de intercâmbio cultural, pesquisa e treinamento; e o visto I, concedido a jornalistas e profissionais da imprensa estrangeira.
Pelas novas regras, quem desejar permanecer nos Estados Unidos além do período autorizado deverá solicitar uma prorrogação formal ou deixar o país e solicitar nova admissão por meio de um novo ingresso em território norte-americano.
Até agora, estudantes permaneciam legalmente pelo tempo de duração de seus cursos, enquanto jornalistas podiam receber vistos com validade de até cinco anos.
Ao justificar a mudança, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que o aumento no número de estrangeiros ingressando nessas categorias tornou mais difícil o monitoramento dos visitantes.
Segundo o governo americano, mais de 1,8 milhão de admissões com vistos de estudante foram registradas em 2024, um crescimento superior a 11% em relação ao ano anterior. Além disso, foram emitidos vistos para mais de 500 mil participantes de programas de intercâmbio e cerca de 37,3 mil profissionais da imprensa estrangeira.
O departamento também argumenta que existem casos de estudantes e participantes de intercâmbio que permanecem no país durante décadas, situação que, segundo o governo, exige maior controle migratório.
A proposta, no entanto, enfrenta críticas de universidades e entidades ligadas ao ensino superior. Instituições acadêmicas afirmam que a limitação do período de permanência poderá aumentar a burocracia, desestimular estudantes estrangeiros qualificados e reduzir o interesse internacional pelas universidades norte-americanas.
Organizações de imprensa também manifestaram preocupação. Mais de uma centena de veículos de comunicação e entidades internacionais, entre elas a agência France-Presse (AFP), divulgaram uma carta aberta afirmando que a restrição poderá comprometer a cobertura jornalística realizada por correspondentes estrangeiros nos Estados Unidos.
Para brasileiros que estudam, trabalham ou pretendem participar de programas de intercâmbio no país, a mudança poderá exigir um planejamento maior em relação aos prazos de permanência e aos procedimentos de renovação dos vistos, caso a regulamentação seja confirmada.
Fonte: Estadão, com informações da AFP.

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