A montadora chinesa BYD alcançou a marca de 100 mil veículos produzidos em sua fábrica de Camaçari, na Bahia, pouco mais de um ano após o início das operações no Brasil. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (16) e reforça os planos da empresa de ampliar a produção nacional de componentes, consolidando sua estratégia de crescimento no mercado brasileiro.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a unidade inaugurada em junho de 2025 iniciou suas atividades utilizando o sistema SKD (Semi Knocked Down), no qual veículos chegam praticamente prontos da China e são finalizados no Brasil por meio da montagem de conjuntos importados.
A próxima etapa do projeto prevê a ampliação da nacionalização da produção. A empresa informou que está na fase final das obras dos galpões destinados aos setores de estamparia, solda e pintura, permitindo que uma parcela maior da fabricação dos veículos seja realizada em território brasileiro.
De acordo com o vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, a estratégia da empresa é verticalizar sua cadeia produtiva. Isso significa que o complexo industrial de Camaçari deverá produzir, além dos veículos, diversas peças e componentes utilizados na fabricação dos automóveis elétricos e híbridos.
A nacionalização da produção também atende às exigências estabelecidas para a obtenção de incentivos fiscais concedidos ao empreendimento. A BYD anunciou investimentos de aproximadamente R$ 5,5 bilhões na implantação do complexo industrial baiano.
O crescimento da montadora também se reflete nas vendas. Conforme dados apresentados pela empresa, o volume comercializado no primeiro semestre de 2026 aumentou 110% em relação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, a BYD ocupa a quarta posição entre as maiores montadoras do país e responde por cerca de 70% das vendas de veículos totalmente elétricos no mercado brasileiro. A meta da fabricante é tornar-se a maior montadora em atuação no Brasil até 2030.
O parque industrial ocupa a antiga fábrica da Ford, que encerrou suas atividades na Bahia em 2021. Quando estiver completamente operacional, o complexo será formado por três fábricas com capacidade inicial para produzir até 150 mil veículos elétricos e híbridos por ano.
Apesar do avanço industrial, a trajetória da empresa no Brasil também tem sido marcada por investigações trabalhistas. Durante a construção da fábrica, empresas terceirizadas chinesas passaram a ser investigadas por suspeitas de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. O caso resultou em uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho em maio de 2025.
Mais recentemente, uma nova investigação foi aberta para apurar denúncias de assédio moral e sexual na unidade de Camaçari. As denúncias foram apresentadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos da cidade e levaram o Ministério Público do Trabalho a instaurar um procedimento para apurar os relatos.
Em resposta, a BYD informou que mantém uma política de tolerância zero para qualquer forma de desrespeito no ambiente de trabalho. Segundo a empresa, todas as denúncias serão investigadas e, caso sejam confirmadas, os responsáveis serão desligados.
A companhia também anunciou que já emprega cerca de 5.500 trabalhadores diretamente na fábrica, sendo aproximadamente 93% deles baianos. A expectativa é alcançar 10 mil empregos diretos até o fim deste ano.
O crescimento da operação também elevou o número de profissionais chineses atuando no Brasil. Dados do Ministério da Justiça mostram que os registros de vistos de trabalho para cidadãos chineses aumentaram de forma significativa nos últimos anos, impulsionados principalmente pela expansão das operações da montadora no país.
Fonte: Folha de S.Paulo.

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